Pergunte ao Pediatra 32ª rodada

segunda-feira, 28 de maio de 2012
Antes de apresentar a 32a. rodada da seção Pergunte ao pediatra de hoje, gostaria de fazer um pedido aos leitores que nos mandam suas perguntas. Está difícil para mim, mas principalmente para o Dr. José Martins Filho, nosso pediatra de plantão, ler e publicar as respostas para perguntas enormes. Decidimos, então, delimitar o tamanho das perguntas em dez linhas.

E olha que cabe muita coisa em dez linhas! Dá para falar sobre a criança em questão (gênero, idade, peso, altura, tipo de parto, condições de nascimento, tempo de amamentação, comportamento), sobre o contexto familiar e, ainda assim, elaborar uma pergunta grande sobre o tema escolhido.

Se quiser, dá para separar em dois parágrafos, um contextualizando e o outro com a pergunta em si. Então pedimos que vocês façam um esforço concisão e elaborem suas questões - que são muito importantes para nós e para os outros leitores do blog - em apenas dez linhas, combinado? Se você se empolgou e a sua pergunta ficou grande demais, basta reler e cortar o que não for essencial antes de enviar. Garanto que dá certo!

O Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Lembre-se que a pergunta não deve ultrapassar dez linhas. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.


ALIMENTAÇÃO


1) Doutor, meu filho tem 2 anos recém-completos, ainda mama duas vezes por dia, e, apesar de comer bem, tem baixo peso (10kg) e altura normal. Ele quase nunca fica doente, nunca teve nada grave, nunca precisou de antibiótico. Eu me preocupo mais com o aspecto nutricional que com a ingestão de gorduras (ele quase não come doces, biscoitos etc.) e fico aflita porque ele nunca gostou muito de legumes, mas come qualquer tipo de fruta que eu ofereça, mais de uma porção por dia.  Porém, de legumes só come cenoura e mais nada. Come arroz, feijão, macarrão, carnes, peixes, frango, farofa acebolada, mas não come legumes nem folhas verdes (acho que a textura não o agrada). Ele tem alguma perda nutricional em não comer legumes, já que se alimenta bem, em geral, e come muitas frutas? Uma coisa compensaria a outra?


JMF - Provavelmente não tem qualquer perda nutricional. Mas, em caso de dúvida, e como acha que o peso está um pouco abaixo do normal, o ideal seria fazer um check up com seu médico, que verá a curva de crescimento em peso, estatura e perímetros cefálicos e abominal e lhe pedirá alguns exames para ver se não há anemia, hipoproteinemia ou algo semelhante. Essa pergunta só pode ser respondida com certeza após uma avaliação clínica e exames laboratoriais.

COMPORTAMENTO/ ANSIEDADE


2 ) Dr., tenho percebido que minha filha (1 ano e 5 meses) parece ser ansiosa, ou melhor, tem  ações e reações que me fazer pensar ser ansiedade. Por exemplo, quando estamos em uma viagem curta de carro, de 1h, ela fica com os pés tensos, esticados, ou esfregando as mãozinhas enquanto assiste ao DVD. Antes de adormecer, também esfrega pés, esfrega as mãos sob o travesseiro. Várias vezes durante o dia, enquanto brinca, observo que ela está rangendo os dentes. Pergunto se isso pode ser mesmo ansiedade e se sim, o que posso fazer para ajudá-la.


Sobre ela: É uma criança normal, teve os marcos de desenvolvimento sempre na média, nasceu a termo. É filha única e estou grávida de 14 semanas. Trabalho apenas pela manhã depois que ela nasceu, período no qual ela fica com a avó, minha mãe.Só voltei a trabalhar quando ela tinha 6 meses, amamentei até 13 meses, pois ela rejeitou e não quis mais o seio. O pai, meu marido, é super participativo, não tem carga horária de trabalho alta. Ou seja, ela tem os pais muito presentes, brincamos muito, nossos finais de semana são sempre em família. Também a deixamos brincar muito sozinha e ela fica muito tempo assim, ela e seus brinquedinhos. O que pode estar havendo? Obs.: Já percebia isso antes da minha gravidez.

JMF - Pode ser uma caracteristica familiar (alguém na família tem esse tipo de ansiedade?) ou apenas um momento de mudança em alimentação ou escola, ou mesmo de pessoas que chegaram ou saíram do ambiente domiciliar. Não comente, não ralhe, não peça para não fazer, Se perceber ansiedade, chame a atenção para algo bom e agradável que esteja acontecendo e a distraia um pouco. Se isso continua, precisa ser avaliada e examinada pelo seu pediatra ou por um psicólogo por ele indicado.

DESMAME

3) Doutor, ando às voltas com a questão do desmame. Minha filha tem 1 ano e 4 meses e já anda mas não fala. Mamou exclusivamente no peito até os seis meses. No início eu queria amamentar até um ano. Depois achei que queria prolongar até os dois. Mas agora estou ponderando. Estou tendo problemas com os métodos contraceptivos para mães que amamentam (sangramentos irregulares e prolongados).


Também percebo que minha filha não se interessa tanto pelo peito quanto antes. Ela gosta de "mamar" mas geralmente pega o peito, chupa um pouco e daí sorri e quer brincar comigo, fazer gracinhas (no colo mesmo). Daí volta a pegar o peito, etc. Ela só fica no peito mesmo quando está meio doentinha ou sonolenta / acabou de acordar.


Minha produção diminuiu, é claro, mas ainda consigo tirar uns 240ml por dia para ela tomar à tarde na escolinha (de manhã ela toma Nestogeno no copinho de transição, não usa mais mamadeira). Ela chupa chupeta - hábito que logo logo vou querer tirar, mas não vem ao caso agora. Para manter minha produção, eu, que trabalho fora, ordenho meu peito (ou com as mãos ou com bombinha elétrica). Em casa dou o peito mesmo e às vezes Nestogeno quando meu leite está em falta.


(Embora eu trabalhe fora sou uma mãe muito presente quando estou com ela. Trabalho das 8:00-17:30. Nesse tempo ela fica na escolinha. Não delego os cuidados com ela. Faço a comida, dou para ela, dou banho, levo ao médico, ponho para dormir, brinco com ela, etc. E quando ela era pequena eu, primeiro por instinto e depois por ler Carlos González e Laura Gutman, sempre atendi a seu choro. Tanto que ela é uma criança muito feliz e as professoras dizem que é muito alegre e não dá nenhum trabalho).


Por um lado sinto que a hora do desmame se aproxima. Ela já está mais independente. Tenho receio de ficar prolongando muito a fase oral e sua dependência de mim, meio que de maneira forçada só porque todos dizem que a criança deve mamar até os dois anos. Até li o livro sobre A Saúde Bucal do Bebê ao Adolescente, da odontopediatra Maria Salete Nahas Corrêa e ela diz que quando o bebê está só brincando com o peito isso acaba sendo prejudicial para sua dentição.


Eu também me vejo às vezes com pouco tempo no meu horário do almoço ou à noite para ordenhar o peito para estimular a produção. Muitas vezes nem sai nada mas no dia seguinte o peito está mais cheio. Sinto que por um lado eu e ela já estamos prontas para o desmame. Mas por outro, não quero desmamá-la antes dos dois anos. Sinto que é um ritual, um laço, um vínculo que tanto amei e amo e que uma vez que se vá nunca mais recuperaremos. Ainda assim, sei que uma hora terá que acontecer - como o senhor diz, o "des-envolver" dela.


É tão bonitinho vê-la ali no meu peito, sorrindo, se sentindo aconchegada, tê-la no meu colo toda bonitinha. Sei que no final o apego meu e dela a esta altura é mais emocional do que nutricional ou outra coisa. Mas, enfim, estou  às voltas com a questão do desmame. Ainda não decidi quando o farei , mas sei que tem que ser de forma gradativa e por isso tem que ser planejado.


A minha pergunta para o senhor - depois de tanto blablablá - é a seguinte: como fazer o desmame? Conheço pessoas que passam um produto no peito, produto este que tem um sabor amargo. Outros simplesmente passam a não dar o peito, tentam distrair a criança com outras coisas. O que o senhor recomenda?


Minha filha costuma mamar antes de ir para a escola, e quando chega da escola. Às vezes ela não mama antes de ir e nem logo que chega mas à noite, em algum momento ou outro sempre mama. Costuma mamar também aos finais de semana, umas duas vezes por dia, especialmente quando ela acorda muito cedo e quero ficar dormindo mais um pouco - trago-a para minha cama e ela mama um pouco e volta a dormir. Gostaria de tornar o desmame o mais tranquilo possível para minha filha (e para mim!). Sem traumas psicológicos e emocionais, pois sei que será uma grande perda. Mas necessária. Parte do amadurecimento, da vida. Agradeço seu tempo.


JMF - A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros 6 meses de vida e depois, como complemento com outros alimentos, até os 2 anos, pelo menos. O desmame nunca deve ser abrupto ou agressivo. Péssima idéia essa de passar coisas desagradáveis no peito para ela rejeitar. Nunca faça isso, é uma atitude inadequada.

Também retirar de uma vez é ruim porque a criança se sente abandonada, principalmente nessa idade de 1 ano e 4 meses. O ideal seria esperar os 2 anos de idade e ir aos poucos acertando os horários de mamada e aos poucos ir retirando. Por exemplo, seria bom agora que mamasse pela manhã, depois no começo da tarde e a terceira a noite, uma hora antes de dormir. Manter almoço e jantar nas horas adequadas e pelo meio da manhã dar sucos e  à tarde, na hora do lanche, frutas. Após 18 meses, retire a mamada da tarde e, se quiser, pode dar um pouco de leite no copo - isso é importante, porque uma criança que consegue chegar até perto dos dois anos amamentando, nunca precisa ir para a mamadeira, que é prejudicial para o desenvolvimento oral (má oclusão oral, respiração bucal, alteração de arcada dentária etc.).

Pois bem,  depois de um mês ou dois, tire a da manhã e passe a oferecer leite no copo e uma papa de cereais com leite (aveia ou outro). E aí quando estiver apenas mamando  uma vez, à noite, vá explicando que você vai começar a tirar o mamá. Na maioria das vezes, essa é a  melhor técnica, mas, claro, exige paciência, calma  e tranquilidade. Boa sorte.

Carta à (minha) menina que cresce

quarta-feira, 23 de maio de 2012
Eu nunca fui adepta a cartas abertas para a posteridade, mas hoje estou a fim de escrever uma, em ocasião dos 22 meses da minha caçula.

Clarice,

Hoje você completa 22 meses de vida - ou 1 ano e 10 meses, num outro tipo de contagem - e eu, 22 meses de maternidade dupla. E ainda bem que eu nunca fui arrogante ao ponto de achar que, como já tinha uma filha, já sabia de tudo, porque, com você, foi tudo novo. A começar pelo (quase) parto, pelo qual eu muito lutei, você sabe, mas que a minha cabeça e a sua posição na hora P não ajudaram. A começar, então, pela amamentação, que nem eu nem você deixamos que a cesárea de emergência estragassem. Você mamou na primeira hora, porque eu lutei por isso, e porque você já sabia mamar.


Você nasceu pequena e continua pequena até hoje, o que me preocupa um pouco, confesso, porque eu sou alta (até para os padrões eslovenos), seu pai não é nenhum jogador de basquete, mas está na média, e sua irmã sempre esteve nas linhas mais altas da tabela de crescimento (só a de altura, pois o peso sempre foi mais baixo, mas nunca chegou a ser um problema real, só na minha cabeça). Já você, filha, tem peso e alturas abaixo da média, mas ainda dentro da tabela de crescimento - quase saindo, escapando por pouco, mas você está lá.

Acho que esta minha preocupação é porque, nestes quatro meses de Eslovênia, completados nesta semana, ainda não encontramos um pediatra para você. Você já foi a duas, mas ainda não tem uma que te acompanhe com regularidade. Pelo sim, pelo não, conto com a preciosa ajuda de um pediatra amigo e parceiro do blog, de outras mães que criam os filhos em países frios e com o meu bom senso. Pedi ao seu avô, que logo chega do Brasil, que trouxesse vitamina D para você, já que aqui você já ficou (e ainda ficará, nos próximos invernos) longos meses sem tomar sol regularmente.

O seu pai sempre diz que isso é bobagem, que você tem um desenvolvimento intelectual e motor fantástico (isso é verdade mesmo, não é coisa de pai coruja), que eu me preocupo à toa. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, né? A gente baba com o seu desenvolvimento, isso é inegável. Você sempre falou muito. Você corre, pula e dá cambalhota. Você fala coisas engraçadas deliberadamente, para que a gente ria, e ainda ri de si mesma. Você canta músicas que eu nem sabia que você conhecia. Você admira a sua irmã e a tem como exemplo para tudo, é lindo ver a relação de vocês, mas principalmente a sua admiração por ela. Você imita tudo o que ela faz. Tudo.

Talvez por causa disso, na semana passada, a sua babysitter francesa tenha me perguntado se você frequentava uma escola francesa no Brasil. Quando eu disse que não, ela se surpreendeu: "Mas, como é que ela entende e fala francês tão bem?". Eu disse que devia ser por causa da Cecília, já que você repete tudo o que ela diz. Mesmo assim a babysitter disse que você fala muitas coisas em francês, responde corretamente, de acordo com a situação e canta muitas músicas em francês. Daí quem se surpreendeu fui eu, pois comigo, obviamente, você fala em português, logo eu não conhecia esta sua faceta tão a fundo.

Nesta semana, a babysitter eslovena, mas que fala com vocês em francês, me falou a mesma coisa, disse que você falava francês. Aí eu acreditei, né? Porque já eram duas pessoas me dizendo o mesmo. Você adora as duas, que começaram a cuidar de vocês faz algumas semanas, quando a mamãe tem de sair. Acho engraçado que você chama a Maja de Majo, eu digo que você está declinando o nome dela (em esloveno, filha, são seis as declinações, e um mesmo nome pode ter pelo menos 18 formas diferentes de escrita e fala). Mas isso você, que parece ter facilidade para línguas (e que bebê não tem?), vai aprender sem muito esforço, diferentemente da mamãe, que está ralando para deixar de ser analfabeta funcional por aqui. O engraçado é que você chama joaninha de pikapolonica, em esloveno, e depois traduz para si mesma: "zaninha".

Aliás, você fala palavrinhas em esloveno desde os primeiros dias aqui e sempre acerta o contexto. Não me preocupo com esta parte. Nem com a sua adaptação na futura escola, já que você gosta tanto de escola. Nem com a sua socialização, que anda tão boa, muito além do esperado.

Você tem muito medo de insetos e bichinhos pequenos, principalmente das miguinhas, anhanhas e môcas (formiguinhas, aranhas e moscas), sendo que anhanha, para você, é qualquer bicho que não seja formiga ou mosca.  Você ama cachorros e gatos, mas agora já tem mais cautela ao se aproximar deles.

Na semana passada (e já repetimos nesta), estreamos uma nova modalidade de socialização, além dos playgroups que você já frequenta uma vez por semana: agora, você vai brincar na casa da sua melhor amiga (uma holandesa um mês mais nova e muito maior que você) em uma manhã e ela vem aqui na outra. Você vai sem mim e ela vem sem a mãe dela. É uma forma de solidariedade materna misturada com socialização de bebês que ainda não frequentam a escola. Sugestão da minha amiga holandesa, a mãe dela, prontamente aceita por mim.

Agora não é só a Ciça que recebe as amigas em casa, você também tem esta honra. E como você gosta! Vocês dançam, riem, fazem piruetas e brincadeiras o tempo todo. Às vezes você implica com ela, mas logo passa e você oferece seus brinquedos a ela: "Toma, Sanninha", você diz.



Você também gosta de ir lá, mas chora quando percebe que a mamãe não vai junto. Segundo a holandesa, logo você para de chorar e curte a brincadeira. Você almoça lá, ela almoça aqui e, com isso, vocês estão se tornando melhores amigas, companheiras nesta jornada de vida expatriada. E ela, que ainda não fala quase nada, tenta a todo custo falar o seu nome, que é bem difícil - e estranho -para as pessoas não-brasileiras e não-francesas. Ela gosta muito de você e abre um sorrisão sempre que te vê ). Além das visitas em casa, vocês se vêm todos os dias na escola - ela tem dois irmãos lá - e uma vez por semana nos playgroups.Ou seja, vocês se veem bastante!


Você ainda mama, Clarice, e não tem vontade nenhuma de largar o mamá. Mas a mamãe já estava percebendo há algum tempo que a livre demanda não estava funcionando mais para a gente. Que, como ficamos muito tempo juntas e sozinhas em casa, você vinha pedindo para mamar por tédio, por não achar as outras coisas tão interessantes, e isso atrapalhava, inclusive, as nossas brincadeiras. Faz uma semana mais ou menos que eu estabeleci horários e você, embora ainda peça fora de hora (e eu negue), tem respondido bem a isso.


Só que ontem, quando estava te colocando para dormir a sesta, você mamou um segundo e disse: "Acabou, qué ôto mamá". Depois, mamou dois segundos o outro peito e voltou a dizer: "Acabou". Eu, que já penso em desmame, gelei. Fiquei com medo de não ter mais leite, fiquei com medo de um desmame abrupto. E aí eu percebi que, emocionalmente, um desmame não planejado não fará bem a nós duas. Mas acho que você estava de brincadeira (sua galhofeira!), pois, agora que você tem o mamá regulado, você adora prolongar este momento, mudando de lado (ou tentando) ad infinitum.

Eu tive tanta dificuldade com a amamentação da sua irmã que tenho a meta de 2 anos de amamentação com você como questão de honra. E, se não fiz por sua irmã o que fiz por você, foi por pura falta de apoio e informação de qualidade. Neste ponto, a sua posição nesta família te ajudou muito. Você pegou uma mãe mais bem informada, mais consciente, mais autônoma. E, ao mesmo tempo, mais relaxada, o que é bom, na questão da tranquilidade que isso nos proporcionou, e ruim em outras questões (escovação de dentes, ingestão de doces antes dos 2 anos e outras coisinhas que, com a sua irmã, eu era uma generala - e obtive bons resultados - e com você não consigo manter a pose). Aliás, você consegue me tirar do sério facilmente.

Tenho um post na cabeça, que se chamará "primeira filha; segunda filha" e será uma carta aberta a você e à sua irmã. Mas esta carta de hoje é sua, Clarice, para dizer que você está cada dia mais perto de completar 2 anos. Que eu quero (e não quero) que você cresça, sim, porque te acho pequena (de altura), mas ao mesmo tempo já te acho tão grande nas suas colocações. Todo dia o seu pai me pergunta: "É normal uma criança desta idade formar frases tão complexas (em forma e conteúdo)?". Se é normal, eu não sei, mas já é o seu normal. Assim como a sua altura hoje é condizente com a sua altura (e o peso idem) de nascimento. Você já sabe expressar o que sente em palavras e isso é muito bom, pois você consegue parar de chorar para explicar o que aconteceu.



Você gosta de dormir com a sua irmã, na mesma cama. Descobrimos por acaso, mas você dorme bem melhor - não acorda à noite e até acorda mais tarde - quando dormem juntas. Sempre que acorda, você vai ao nosso quarto e pede para mamar. Como aqui tem amanhecido cada vez mais cedo, isso tem acontecido por volta das 5h. Eu faço você dormir mais um pouco e você só mama depois das 7h. Você entra no quarto, toda animada, dizendo "Cheguei!", é bem engraçado - como alguém pode ter tanta animação às 5h da matina?

Você tem boa memória. Ainda lembra - e  canta inteirinha- da música que Divina, que trabalhava na nossa casa lá no Brasil, cantava para você. Devido à diferença de fuso-horário com o Brasil, faz um tempão que você não vê o seu primo Lucas, mas fala dele e, quando viu um menino moreninho na capa de um livro, numa livraria daqui, você começou a gritar, alucinadamente: "Ucas, ucas". Você sabe os nomes dos seus avós e fala deles também. Você acha que todas as bandeiras são do Brasil - e eu não tenho coragem de dizer que não. Quando você aprende uma palavra nova - e toda dia aprende várias, você lembra delas para usar nos dias seguintes - e quase sempre acerta o uso.

Eu estou aprendendo com você e sua irmã como ser expatriada e mãe. Não é fácil, mas é absolutamente instigante. Vocês são meus maiores e melhores exemplos de como se adaptar à vida no exterior. Muito obrigada por mais esta lição!

Com amor,

Mamãe

Pergunte ao Pediatra 31ª rodada

segunda-feira, 21 de maio de 2012
Hoje é segunda-feira, dia da nossa querida seção de perguntas e respostas. A vida por aqui anda cada vez mais corrida, mas, enquanto eu conseguir, vamos continuar respondendo às perguntas de vocês e aprendendo um pouco mais, a cada semana, com este pediatra tão especial.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

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VACINAÇÃO

1 ) Se meus filhos estão com a caderneta de vacinação em dia, por que é importante participar também das campanhas? Pergunto isso porque nossa pediatra (particular) não recomenda que as crianças que seguem com rigor o calendário de vacinação do governo participem de campanhas de vacinação em massa. Ela diz que as campanhas são importantes como programa de saúde pública, para atingir grandes contingentes populacionais, mas que se a criança estiver com as vacinas em dia, não faz sentido ela tomar mais e mais vacinas do mesmo tipo, já que não se trata de reforço de imunização. Além disso, segundo ela, o fato de expôr o organismo a muitas vacinas que têm o mesmo fim poderia causar danos à saúde (ex: encefalites) que normalmente não são discutidos, para que não se atrapalhe o bom andamento das campanhas.
Sei que o sr. defende incondicionalmente a vacinação, mas queria saber o que acha dessa questão das campanhas para crianças que já estão imunizadas. Elas funcionam ou não como reforço? Obrigada!


JMF - Sem dúvida alguma você deve seguir a orientação do pediatra sobre as vacinas nas datas corretas. Eu, particularmente, digo às mães que quando aparece uma " campanha", quase sempre é porque pode estar havendo alguma preocupação das autoridades de saúde sobre alguma enfermidade infecciosa que está saindo do controle. Por exemplo, ultimamente tem havido mais casos de coqueluche do que seria esperado. Eu mesmo tive que internar um bebê de 1 mes e meio em UTI por conta dessa situação que não foi nada agradável. Em alguns paíse (talvez o Brasil volte a fazer o mesmo) já existem campanhas de revacinação de adultos e criança contra a coqueluche, que normalmente está contida na vacina triplice ou na hexavalente. O mesmo ocorre com a Sabin oral (a do Zé Gotinha,) que salvou milhares e milhares de vida no Brasil e no mundo. Agora já temos a Salk, que é a vacina injetável que faz parte da hexavalente, e as campanhas com a Sabin irão aos poucos desaparecer. Mas, sempre que há campanhas com a Sabin, achamos que devemos revacinar, porque a Sabin, ao contrário da Salk, é eliminada pelas fezes e ajuda a disseminar o virus atenuado da pólio para toda a comunidade, protegendo outras pessoas. Por isso, eu, pessoalmente, acho que as campanhas devem ser seguidas e o que aconselho aos pais é que, em caso de dúvida, cheguem ao posto de vacinação com a carteira em dia e peçam para o médico ou a enferemeira examinarem e decdirem se é importante ou não.

ALIMENTAÇÃO/ LEITE ARTIFICIAL

2) Meu filho tem 2 anos e 2 meses e é extremamente saudável.  Tem peso e altura adequados para a idade, e procuro manter a sua alimentação o mais saudável possível. Adora frutas e comida  "de verdade". Amamentei até os 7 meses (mas por algumas dificuldades, sempre complementando com leite em pó), e depois continuou a consumir o leite artificial (fórmula indicada para a idade).
Entretanto, desde perto de completar 2 anos, não quer mais beber leite. Já tentei vários tipos e alternativas, com frutas, aveia, mas ele realmente não quer. Como os derivados do leite ele aceita bem, estou reforçando essas opções. Consome bastante queijo (principalmente branco), mas também iogurte, yakult e bebidas à base de soja. Procuro escolher os iogurtes e bebidas de soja mais simples, e que "aparentam" serem menos artificiais, mas ainda assim me reocupo um pouco, pois são industrializados e com teor de açúcar.
Dr., qual a real necessidade do leite (cálcio e outros nutrientes) nessa idade? E mantendo o restante da alimentação mais natural, há algum problema no consumo diário dessas opções industrializadas? Agradeço toda atenção, dedicação e carinho com as leitoras.

JMF -
Isto é muito frequente, muitas vezes algumas crianças rejeitam leite de vaca depois que crescem um pouco. É preciso respeitar. Pelo que fala da alimentação de sua criança, ela tem outros alimentos que tranquilamente suprem a necessidade de cálcio, como as  verduras, frutas e legumes e mesmo queijo e iogurtes. Não fique angustiada, se ele não quer, pode ser que não esteja tolerando bem. Às vezes nas familias dessas crianças existem outras pessoas com essa dificuldade e em alguns casos encontramos pessoas que não toleram a lactose ou mesmo apresentam algum grau de de alergia ao leite de vaca.

 CHUPAR O DEDO

3) Quando minha filha mais velha tinha um ano e um mês engravidei novamente, continuei amamentando até ela completar um ano e seis meses. Não continuei mais pois ela mordia o peito e o leite diminuiu muito. Ela sofreu bastante e eu também. Não foi um desmame abrupto, mas não foi totalmente tranquilo. Pouco tempo depois - uns dez dias, acho - ela começou a chupar o dedo polegar. Inicialmente para dormir, depois quando ficava nervosa ou incomodada com algo. Se estamos brincando ou ela está feliz e tranquila, esquece do dedo.

Já se passou um ano e o hábito persiste. Já conversei, nunca briguei, apesar de pedir pra ela não chupar dedo. Eu não trabalho fora, meu trabalho é maternar, coisa que faço com imenso prazer. Me entristece muito vê-la com dedinho machucado e chupando o dedo.
Já me disseram para oferecer mamadeira - ela nunca usou mamadeira nem chupeta - mas penso que ela já é grande e nem convém.  O que o senhor me sugere? Existe algo que eu possa fazer para ajudá-la?


JMF - Chupar o dedo é frequente e não é verdade que dar mamadeira,ou chupeta faz com que pare de chupar os dedos, até porque se isso for muito insistido as crianças adquirem esse mau hábio (chupeta e mamadeira), mas continuam chupando o dedo. Também não adianta colocar luva, dedeira ou passar alguma coisa de gosto ruim ou cheio forte no dedo, porque não resolve e apenas angustia mais a criança. Essa necessidade de sucção frquentemente está associada às caracteristicas de personalidade da criança ou até um pouco de carência. Elas precisam de mais atenção (nem sempre, mas é bom sempre tentar ver se está faltando algo de presença ou de carinho na relação mãe-filho) ou mesmo querem manter uma posição de  volta ao passado. Há crianças que, quando fazemos o ultrassom da mãe na gravidez, já estão com o dedo na boca. E aí vê-se que isso é mais complexo do que se pensa.

Eu sempre sugiro que as pessoas não se angustiem, conversem com a criança sem castigar e que sempre que possível chamem a atenção da criança para outro tipo de interesse, quando perceberem que está querendo sugar o dedo. Por exemplo, em vez de dizer: "Não faça isso, não chupe o dedo" ou ralhar, brigar, o melhor é dizer: "Venha ver que coisa bonita a mamãe tem aqui para te mostrar", "Olha essa plantinha, esse brinquedo, esse desenho, esse quadro etc". E brincar um pouco com a criança, tentando desviar a atenção para algo mais prazeroso. Isso costuma funcionar. É preciso tempo e paciência e, claro, todas as pessoas procurarem ter a mesma conduta. Não adianta a mãe tentar isso, mas o pai, dar bronca ou a avó dizer que tudo bem, que é normal e dar a chupeta.

Cecília, os livros e a escola

terça-feira, 15 de maio de 2012
Já contei aqui que a Ciça já gosta tanto da escola, dos colegas e professores que me pede sempre para ficar mais? Mesmo nos dias em que a aula acaba mais cedo, ela pede para sair mais tarde, já que a maioria das crianças fica mais algumas horinhas.

E, desde o primeiro dia de aula, ela leva um brinquedinho para lá. No início, eu achei que isso era só para a adaptação, mas eles têm, na sala, uma caixinha para as crianças deixarem seus "dodos". Ciça só levou nos primeiros dias e depois muito eventualmente. Até que um dia ela pediu para levar um livrinho, daqueles bem fajutos (de princesas, uma edição destas de banca de revista, sabe?) e eu deixei, porque, se rasgasse, não seria uma grande perda.

Isso já faz mais de um mês e desde então ela tem pedido para levar livros. Como eles sempre voltam em ótimo estado (a professora separa os livros que as crianças levam dos brinquedos), passei a deixar que ela levasse seus bons livros. Levou até e edição especial dos 40 anos de Flicts (eu tive medinho que rasgasse, mas voltou lindo e colorido como sempre). E a cada dia leva um livro mais legal que outro, à escolha dela.

Um dia, ela escolheu um livro que eu não gostei e eu vetei. Sim, confesso que vetei, mesmo sem saber se isso era pedagógico ou não. A menina vinha de uma semana com Flicts e outras belezuras da literatura infantil brasileira e queria levar um livro bizarro (ganhou de aniversário, acho) de Princesas da Turma da Mônica. Eu falei para ela escolher outro (depois que ela saiu da escola tomei cuidado de esconder o livro, que, além de esteticamente horrendo tem as versões mais bizarras dos contos de fada já vistas, um show de horrores, caça-níquel mesmo) e ela escolheu um sobre desmatamento, com pop-ups e ilustrações lindíssimas.

Quando cheguei na escola para buscá-la naquele dia, tive a certeza de que fiz bem: o livro que ela levou foi elogiado por dois professores e uma ajudante de classe.Todos vieram me falar, em momentos diferentes, como a Cecília tem bons livros e como gosta de lê-los. E que o livro daquele dia tinha sido uma ótima escolha. A professora, francesa, faz um esforço e lê algumas histórias em português para a turma. Noutras, ela lê em francês, fazendo uma tradução na hora mesmo. Ela ama os livros que a Ciça leva e faz questão de colocá-los na roda em algum momento.

O livro que suscitou mais elogios até agora foi este aqui:
Este livro é espcial para ela também, porque ela ganhou da vovó Beti numa época difícil para nós, quando o pai estava na África (entre maio e junho de 2011) e ela sentia muita falta dele. Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Desde que começou a levar os livros, ela não quer mais levar brinquedos. E a cada dia conta como o livro foi lido. Já levou livros em vários idiomas, menos em francês (ainda não temos livros infantis em francês, só os do Petit Nicolas, mas estes são para quando ela estiver maiorzinha), e a professora sempre dá um jeito de ler ou mostrar na hora da rodinha.

E, neste domingo, sem saber de nada, uma amiga brasileira (amiga que conheci pessoalmente no domingo, é uma longa história que tem a ver com este blog aqui e minhas conexões soteropolitanas, né, Mari?) deu para as meninas outro livro lindo, que com ceretza vai para a escola num dia destes (e que me lembrou muito, inclusive na ilustração, o livro "Folha", que a Lia deu para a Ciça uns anos atrás):



Leia mais sobre Flop aqui.

Enfim, estes são alguns dos livros que têm feito sucesso aqui em casa com as duas, mas principalmente com a Ciça, já que eu ainda não criei o hábito de leitura na Clarice (me culpo por isso, tenho de começar logo, eu sei). Agora que estamos longe do Brasil, acho ainda mais importante que elas continuem 'lendo' livros em português e que tenha livros de qualidade - literária e estética, para que a leitura para ela seja sempre um prazer e, espero, nunca uma obrigação. Pelo menos a leitura em português.

Ela ainda não sabe ler, vai ser alfabetizada em francês e nem sei como é que isso se dá lá, na prática, mas gosto muito de saber que na sala dela, o Maternelle, que reúne crianças de 2,5 a 5 anos, tem duas estantes recheadas de livros legais e bonitos e mais um montão de brinquedos e jogos educativos. Acho que estamos alinhados neste quesito (e em tantos outros) e isso me tranquiliza. Por isso mesmo, já aumentando a minha fama de chata, eu digo sem pudores: não gosto da Turma da Mônica, muito menos de seus produtos pseudo-literários. O Brasil tem Ziraldo, Ruth Rocha, Adriana Falcão, Fabrício Corsaletti. Por que, meu deus, uma criança vai ler um livro caça-níquel sobre princesas da Turma da Mônica?

***
Uma curiosidade: Cecília agora conta com os dedos à francesa, em que oum é o polegar em riste (como o nosso legal), o dois são o polegar e o indicador, o três, polegar, indicador e dedo médio e por aí vai. Eu, que conto à brasileira, acho muito estranho. Mas ela não esquece como se conta no brasil e sempre fala: agora vou contar do jeito francês. Agora, do jeito brasileiro.

Aqui na Eslovênia também contam à francesa e, segundo meus colegas, na Inglaterra, Espanha e Bielo-Rússia também. Só eu e minha colega brasileira do curso de esloveno contamos com o um sendo o indicador.

Cali tenta fazer o número dois com os dedos à brasileira e ainda não consegue, mas já consegue à francesa. É mais fácil mesmo. Já o três deles eu não consigo fazer, meus dedos ficam todos tortos. A Ciça faz perfeitamente. Acho que é como na língua, o quanto antes você começa, mais facilidade tem.

[Para quem ficou na dúvida sobre comos e conta, achei este vídeo aqui que mostra como se conta nos dedos em inglês e em francês, mas fiquei na dúvida se este inglês é o da Inglaterra ou o dos EUA, já que meus colegas ingleses, do UK, contam como os franceses, eslovenos e outros europeus em geral.]

E a Ciça está tão inserida neste universo que já anda corrigindo a minha pronúncia quando cantamos uma das musiquinhas que ela tanto gosta. Dá risada e diz: "Ai, a mamãe fala errado...". A criatura desmerece todo o meu esforço e os meus quatro anos de Aliança Francesa com uma risada jocosa e uma frase como esta. Só não vou correndo para a terapia porque preciso correr para o curso de idiomas antes. Estou ficando para trás, isso é fato.



Pergunte ao Pediatra 30ª rodada

segunda-feira, 14 de maio de 2012
E não é que chegamos à 30a. edição da nossa especialíssima seção das segundas-feiras? Quando comecei, naõ saberia se ia haver tantas perguntas, tantos assuntos a serem abordados e nunca imaginei que iríamos tão longe. Sim, eu achei que o interesse por isso ia ser passageiro, que ele ia falar dos temas que mais afligem as mães (sono e alimentação) e logo os leitores não teriam muito mais o que perguntar.

Ingênua eu, né? Porque cada mãe e cada criança têm suas histórias, suas formas de se relacionar e, ainda que os temas se repitam (sono e alimentação entram em quase todas as seções), as experiências relatadas são diferentes. E o Dr. José Martins, com a maior paciência do mundo, responde a todas as dúvidas que nos afligem neste espaço.

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

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INTRODUÇÃO DE SÓLIDOS

1) Minha filha tem 7 meses completos, 9,5kg e 69cm. Até os 6 meses e 20 dias, foi alimentada apenas no seio - a transição teve de ser adiada pois aos 6 meses ela teve uma bronquiolite e passou 5 dias internada (3 na UTI). Quando ela melhorou, começamos com frutas (banana, mamão, pêra e maçã) uma vez ao dia, passando pra duas vezes na semana seguinte. Atualmente, seguindo a orientação do nosso pediatra, estamos com dois lanches de fruta mais almoço e janta de papa salgada.

Só que ela não come. Trava a boca, chora, vira o rosto, cospe, faz que vai vomitar. A única fruta que ela aceitou sem tanto asco (mesmo assim só uma colherada bem pequena) foi pêra. E uma papa salgada que fiz com feijão, ervas e caldo de cogumelos, que ela até pareceu apreciar mas, mesmo assim, não passou de uma colherada.

Comecei tentando oferecer os alimentos antes do peito, mas ela ficava muito nervosa querendo mamar logo. Então tentei depois do peito, e foi a mesma coisa. Mudei horários, pra garantir que ela não estivesse com sono, e de nada adiantou. Ela parece me comunicar que não quer, não precisa e não está pronta pra comer agora. No entanto, ela aceita bem líquidos oferecidos no copo (água, chá e um pouco de suco).

Ela também está com os 4 incisivos superiores rompendo ao mesmo tempo, o que acredito que possa estar contribuindo pra dificuldade.

Com minha filha mais velha - que hoje come super bem - foi a mesma história. O que eu queria saber do senhor é: eu preciso me estressar com isso? O desenvolvimento dela é totalmente normal (senta sem apoio, se arrasta pequenas distâncias, rola desde os 5 meses, troca objetos de mão, batuca, vocaliza, interage), e ela é enorme, muito maior que a irmã na mesma idade (eu tenho 1,57m e o pai, 1,78m). Minha postura atual é continuar oferecendo as comidas, pra ela ir se acostumando aos sabores e texturas, mas quando ela não aceita, guardo a papa e a vida continua. O seio continua em livre demanda, pois não estou trabalhando e cuido dela o tempo todo.

Qual sua opinião sobre bebês que não aceitam sólidos após os 6 meses? Devemos esperar o tempo deles?

Mais uma coisa: li no Guia Alimentar para Crianças de até 2 anos, do Ministério da Saúde, que até 1 ano de vida o leite materno é o principal alimento e os sólidos é que são complemento. Eles recomendam 3 refeições diárias nessa idade. Qual a sua posição sobre isso?

JMF -
Não fique preocupada, algumas crianças demoram um pouco mais para aceitar os sólidos. Uma das coisas que deve estar retardando a aceitação dos outros alimentos é a mamada em livre demanda, porque, como ela não tem hora para mamar e mama toda vez que quer, provavelmente não sente fome nem estímulo para aceitar outros alimentos, que são necessários por vários motivos alimentares e até para estimulo neuromotor da mastigação etc. Tente aos poucos evitar da mamada pelos menos duas horas antes das principais refeições. E aos poucos ela começará a sentir um pouco mais de fome e se interessará por comer. E sobretudo vá com calma e sem forçar. Eu, pessoalmente, apesar de muitas opiniões contrárias, costumo ir sugerindo às maes para irem acertando os horários, lenta e progressivamnete a partir dessa idade, sem pressa, sem forçar. Deve mmar cedo, dar o suco no meio da manhã, o almoço lá pelas 11/12 horas e depois às 13h o peito. Depois, às 15 horas, fruta, e depois novamente o peito após 1 hora, 1 hora e meia. Às 17/18 horas, o jantar, e depois as 21:3 , 22 horas, o peito. Se ela dorme toda a noite, ótimo. O ideal é que depois dos 6 meses não seja necessária a mamada da noite. Se for acertando os horários, resolve sem problemas.

ALERGIAS ALIMENTARES

 2) Minha filha de 1 ano e 7 meses, vem apresentando baixo peso (8.680kg), suor excessivo, irritabilidade na pele (coceira), o pediatra alertou para a hipótese de ser doença celíaca ou intolerância a lactose e solicitou exames. Contudo, por conta própria iniciamos a 20 dias a substituição do leite normal para o leite com baixo teor de lactose e cortamos todos os derivados de leite.
Entretanto, a 3 dias com o resultados dos exames retornamos ao pediatra e o mesmo informou que ela está apresentando alergia a proteína do leite de vaca, conforme exames:
TGO (AST) 57 U/L
TGP (ALT) 52 U/L
Alfa 1 antitripsina fecal: 0,6mg/g de fezes (valor de ref. 0,3mg/g)
O diagnóstico está correto? confirma a alergia? Fico no aguardo.

JMF -
Acho muito desagradável discutir o diagnóstico de um colega sem ver a criança e apenas baseado na sua informação. O peso do seu bebê realmente está abaixo do ideal para 1 ano e 7 meses. Qual a estatura atual? Qual foi o peso de nascimento? Como foi a alimentação desde o nascimento? Amamentou quanto tempo exclusivamente? Por favor, mande-me todas essas informações e mais a curva de cresimento. Quem era o pediatra que seguia sua filha rotineiramente? Ele não a alertou para o baixo peso? E o desenvolvimento neuromotor, como anda? Levantou a cabeça, sentou, engatinhou, andou com que idade? Já fala algumas palavras? Como foram a gravidez e o parto? Normal ou cesárea? Qual foi o indice de Apgar e as condições de nascimento? Porque começou a dar leite sem lactose se a suspetia diagnóstica nada tinha a ver com isso? Doença celiaca nada tem a ver com intolerância a lactose e também é muito diferente da alergia à proteina do leite de vaca. Aguardo essas informações para poder opinar com mais conhecimento.

SONO

3) Eu tenho um menino de 1 ano e meio e já tem, mais ou menos, uns 5 meses que fazemos ele dormir da seguinte forma: contamos historinhas, rezamos e ligo a música clássica (ele sempre dormiu ouvindo música clássica), o colocamos no berço, explicamos que chegou a hora de dormir, pois ele precisa descansar para brincar muito no dia seguinte. Dizemos que não precisa chorar nem ficar com medo, pois papai e mamãe estão logo ali do lado para o que ele precisar. Depois disso, saio do quarto e deixo ele dormir sozinho. Ele chora uns 10 minutos e dorme. Acontece que desde que aprendeu a falar mamãe e papai ele nos chama durante o choro e eu, a partir de então, fico me perguntando se estou fazendo certo! Temo deixá-lo com trauma desse momento.

Depois de explicar o meu problema pergunto: Doutor, preciso me preocupar? Devo mudar a forma com que meu filho dorme? Não quero deixá-lo com medo. Preciso muito de uma orientação. Ficaria muito grata se me pergunta fosse respondida.



JMF - Nao entendi... Por que você ou o seu marido, alternadamente, quando ele vai para a cama, não ficam junto e esperam um pouco até ele dormir? O ideal é mesmo dormir no berço e não no colo e muito menos mamando. É preciso criar uma rotina, mas eu não gosto de deixar uma criança chorando, angustiada sem entender por que está sendo abandonada... Por que não fica mais um pouco com a criança?

Fofurices e palavrinhas

terça-feira, 8 de maio de 2012
A três meses de completar 2 anos (já?), Clarice está uma figura cada vez mais engraçada e apertável.

Ela fala coisas que eu e o pai achamos muito complexas para a idade. Ela começou a falar, já faz mais de um mês, o "quase". A primeira vez foi uma frase assim: Maçã caiu quase. Ela quis dizer que a maçã quase caiu, dá para entender, né? Mas o que eu achei bem elaborado foi o conceito do quase, que muda tudo em uma frase. Adorei. Desde então, ela vem usando sempre.

Outra coisa, esta engraçada, é que ela complementa cada vez mais a pergunta típica dela: "Que qué isso?". Antes era só a pergunta. Depois ela complementou com uma hipótese: "Que qué isso? Violão?". Agora, além da hipótese, ela tem outra frase, para finalizar o pensamento: "Que que isso? Violão? Parece violão!". E isso serve para pessoas também. Ela olha para o pai, pergunta o que é "isso" e diz que parece o papai. A gente morre de rir, né? Porque, na maioria das vezes agora ela já sabe o que é, ela só quer confirmar ou buscar mais uma forma de interação com a gente, uma conversinha fiada.

Palavras fofinhas que ela fala:

miguinha - formiguinha
peieca ou bieca - boneca
pêdo - medo
hipopótamo  - moto (não me pergunte por que, mas é)
Eminha - Emília
Queca - Soneca (nome de um boneco)
caquinho - casaquinho
patinho - sapatinho
cós - óculos
pica ou zaninha - joaninha (pica vem do esloveno, pikapolonica, que se pronuncia picapolonitza, mas ela abrevia para pica)

Claro que tem outras, mas só lembro destas agora. 

Ela, que antes cantava Parabéns a você e Cai-cai balão, além da música que a nossa antiga empregada, a Divina, cantava para ela dormir, agora já canta várias músicas, até perdi a conta. Ela continua cantando estas, mas agora canta Happy birthday to you (sim, em inglês, aprendeu com a Ciça e com um desenho que vê em inglês na TV, não sei ao certo), a música da Emília para o disco Pirlimpimpim, cantada por Baby ex-Consuelo, canta duas músicas sobre peixes (Peixinho, peixinho, cuidado com o rio... e "Quem te ensinou a nadar, quem te ensinou a nadar..."), que aprendeu num DVD chamado Tempo de Brincar, presente da Rô Lippi que se tornou hit absouluto nos últimos tempos (para Clarice), e várias músicas do Palavra Cantada, com destaque para Pomar, que ela canta quase toda e a fez pronunciar a maior palavra que já a ouvi falar: jabuticabeira, com incríveis seis sílabas. Daí para paralelepípedo e inconstitucionalissimamente é um pulo, diz aí?

Já conhece conceitos como frio e quente, já sabe expressar o que sente e, é claro, já aprendeu a pedir "favor" (por favor) quando quer muito uma coisa e a gente não dá, numa tentativa de nos dobrar. Também sabe o que é agora (agoia) e usa sempre: "Qué mamar agoia" é um exemplo bem comum. Parou de substituitr o obrigada pelo hvala (obrigado, em esloveno), pelo menos com a gente, ufa! Agora, quando lhe damos uma coisa, em 90% das vezes ela diz obrigada, sem que a precisemos lembrá-la. Com os outros, ela continua dizendo "hvala".

Já sabe contar quase até 10, pois a Ciça fica contando em português, francês e inglês e ela repete. Ela geralmente repete em português, mas já a vi sozinha afrancesando os números e falando quatre e cinque, em vez de quatro e cinco.

Deixei o trabalho que eu estava executando em casa e, antes disso, já tinha desistido de colocá-la na creche em espanhol que eu havia encontrado. A creche não me pareceu tão boa e eu não senti confiança, ela vai esperar setembro para entrar na escolinha mesmo. Como não tenho mais ninguém para me ajudar, contratei duas baby-sitters que vêm eventualmente ficar com ela quando preciso sair. Ambas falam com ela em francês e ela parece entender, mas responde em português ou claricês. As babás geralmente não entendem, mas eu acho que a comunicação ainda assim é boa, porque ela se faz entender de outras formas, hehe.

Quando Ciça está em casa, ela é a intérprete de Clarice com as babás (são duas, que se revezam nas horas livres, para eu poder frequentar cursos). Uma é eslovena e outra é francesa, ambas trabalham na escola da Ciça e me dão um help para eu poder fazer estas atividades, enquanto Clarice não entra na escola. Bernardo continua trabalhando muito, não consegue chegar em casa antes de eu sair para meu curso noturno, por exemplo.

A gente continua frequentando o playgroup com mães estrangeiras (já falei dele aqui?) e tem sido bom para ela. Cada vez mais vejo nela a necessidade de interagir com outras crianças. Ela fica feliz da vida quando outras crianças vêm aqui em casa ou quando vamos às casas delas. Ela continua louca para entrar na escola de Ciça, um dia, quando foi buscar a irmã (vai todos os dias), entrou na sala, pegou um livro na prateleira e sentou no sofazinho para ler. Saiu de lá sob protestos. Ela já se sente em casa naquela sala, isso é fato. Sempre que pode, entra na sala na hora de buscar a Ciça, coisa que eu não faço, espero na porta.

Fora isso, ela continua bem grudada em mim, o que às vezes é meio chato, confesso. Ainda pede muito para mamar durante o dia e muitas vezes eu acho que é por tédio ou costume, sabe? Tenho começado a pensar em desmame, mas este negócio de ficar sozinha com ela na maior parte do dia dificulta. Tem horas que eu dou de mamar só para acalmá-la, só para ela parar de pedir ou só para poder ficar um pouquinho no computador, confesso parte 2.

As noites se aletrnam entre boas e ruins. Com a viagem que fizemos, ela passou a acordar mais à noite e até dormiu algumas noites comigo. Estamos agora na luta para voltar à rotina noturna, umas noites com sucesso e outras sem, daí o motivo do meu sono extremo relatado no post sobre Sarajevo.

Agora ela está cantando uma ciranda e assistindo ao DVD "Tempo de Brincar" sozinha, mas toda hora vem para o meu lado e me pede para mamar. E eu me dei uma trégua da rotina de dona de casa para escrever estas inhas, antes que eu esqueça tudo ou que mais tempo passe e eu não registre as fofices dos 20/21 meses.

A fase de nos desafiar, de dizer não quando lhe pedimos algo e de fazer coisas que ela sabe que são erradas só para ver a nossa reação também já começou, mas acho que estou lidando bem melhor com os pré-terrible-twos do que com a Ciça. Nada como experiência prévia, né? E como saber que é assim mesmo, que passa, que faz parte da evolução da espécie.

Faz um bico do tamanho do mundo quando lhe mandamos parar de fazer alguma coisa que ela esteja fazendo, mas em seguida dá uma gargalhada e continua fazendo, se tem chance. E dá várias risadinhas sempre que faz uma travessura.Se diverte com suas pequenas e grandes trangressões.

Mas agora eu vou lá que ela começou a choramingar.

Pergunte ao Pediatra 29ª rodada

segunda-feira, 7 de maio de 2012
Como vocês viram no último post (sobre Sarajevo), voltei aos poucos do recesso. Viajamos por lugares um pouco inusitados (com crianças) e tenho muita coisa para contar, mas o tempo corre e os dias cada vez mais longos e ensolarados lá fora não ajudam esta blogueira que vos fala. Se vocês tiverem paciência para o meu novo ritmo, tento fazer ao menos um post novo por semana. Mas do que eu não abro mão é desta seção que eu tanto adoro e que, pelo retorno que temos recebido, ajuda a muita gente.

Sim, hoje é segunda-feira, dia de mais uma rodada da seção Pergunte ao Pediatra, com respostas do nosso pediatra de plantão, dr. José Martins Filho!

Dr. José Martins Filho é pediatra, professor emérito (e ex-reitor) da Unicamp e autor de sete livros sobre questões da infância, entre eles "A Criança Terceirizada" e o recém-lançado "Quem cuidará das crianças?".

Para ter sua pergunta respondida por ele, basta enviar para o email pergunteaoped@gmail.com ou mesmo deixá-la registrada num comentário aqui que ela entrará numa lista de espera e logo será publicada nesta seção. Para ver as perguntas e respostas anteriores, clique na seção Pergunte ao Pediatra, no menu superior deste blog.

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SEGURANÇA

1) Estou grávida e, portanto, preparando as coisas para a chegada do bebê. Minha primeira preocupação é em relação a segurança: berço, colchão, ambiente do quarto em geral. Li que uma das recomendações de segurança dada pelos pediatras americanos para evitar morte súbita, além dos demais cuidados, é que o bebê durma no quarto dos pais (em cama separada). Mas eu preferia que ele dormisse em seu próprio quarto. Isto realmente é necessário, é mais seguro? Obrigada pela atenção.


JMF -
A questão da morte súbita até hoje é algo não muito claro. A Academia Americana de Pediatria fez um trabalho com muitíssimos pediatras e crianças e chegou à conclusão de que existem 3 fatores que aumentam os riscos de morte subita no berço:

1 - Dormir de bruços (barriga para baixo).
A criança deve sempre dormir em decubito dorsal, ou seja, de barriga para cima . 

2 - Berços muito abafados, sem ventilação, principalmente lateral, e quentes.
É preciso não agasalhar demais a criança e, principalmente, deixá-la em um lugar em que haja cirulação de ar.

3- Pais fumantes.

Quanto a dormir no quarto, é apenas uma medida de segurança para a criança e para a mãe. Quando você, logo nas primeiras semanas, coloca o bebê em outro quarto, tenha certeza absotluta que vai levantar muitas
vezes durante a noite, ora por conta de choro, ora porque está insegura e preocupada com o bebê etc. Eu acho que talvez nas primeiras semans o ideal seja deixar ao lado da cama dos pais.
Pode-se deixar em outro quarto, desde que com a porta aberta e um aparelho para transmitir o choro, que , infelizmente, invariavelmente acontece e você tem que atender.

Tenha certeza de que sua vida vai mudar bastante e às vezes as noites logo depois do nascimento do bebê mudam bastante, porque os choros, as cólicas, as necessidades de atenção e afeto são importantes. Os pais precisam saber disso. Nesse sentido, é melhor que estejam perto do bebê. Posso lhe garantir que cansa
menos.

AMAMENTAÇÃO E SONO

2) Tenho acompanhado essa coluna desde o começo e percebo que o senhor é contra deixar a criança dormir no peito.

Minha filha mais velha dormiu no peito até os 20 meses, até a noite em que entrei em trabalho de parto para o nascimento da minha caçula. Às vezes ela mamava, não dormia, e o pai a colocava pra dormir na rede. Mas se dormisse mamando, ia direto pra caminha, e lá dormia a noite toda. Até hoje (com 2a3m), quando não cochila na escola, a soneca da tarde é com a ajuda do mamá. À noite ela dorme com o pai tranquilamente, na cama ou na rede, depois de todo o ritual - luzes baixas, banho, escovação de dentes, historinha e oração. Ela mama apenas uma vez ao dia (à tarde) e nunca usou mamadeira. Se tem sede, a água é sempre no copo.

Minha caçula, de 6 meses, normalmente não dorme em seguida à mamada. Ela mama, relaxa bem e depois nós a ninamos na rede ou deitamos na cama ao lado dela até que ela adormeça. Mas isso é uma coisa dela, nunca usamos nenhuma técnica para impedir que ela dormisse no peito.

Minha pergunta é: qual o problema de a criança dormir mamando? Se ela dorme bem à noite e é capaz de dormir de outras formas na ausência do peito, por que não permitir que ela adormeça dessa forma?


JMF -
Cada caso é cada caso. Eu aconselho esse tipo de procedimento geralmente a partir dos 6 meses, quando a criança tende a acordar várias vezes à noite e está inquieta. Por outro lado, as mamadas de
madrugada às vezes são responsáveis por alguns casos de regurgitação, embora  algumas crianças, até pelas suas características, durmam bem. Isso é algo que é possível e em algumas familias essa bênção de dormir a noite toda existe e você fique muito feliz e agradeça aos céus por isso, porque nem sempre é assim. Eu acho que a livre demanda e a mamada para dormir podem existir até 6 meses, mas eu percebo que, aos poucos, com o crescimento dos bebês, aparece uma necessidade a cada 4 horas de repetir o ritual que tiveram ao pegar no sono. Por isso, se a criança não dorme bem, eu e muitos pediatras sugerimos esse tipo de atitude.

Em medicina, no amor e na politica, não existe SEMPRE nem NUNCA, ou seja , é possivel que o seu bebê seja uma exceção, parabéns. Geralmente essa tranquilidade acontece com bebês que dormem no quarto dos pais e quando há bastante calma e tranquilidade no lar e entre o casal e o resto da familia. Parabéns.

MAUS HÁBITOS

3) Dr, parabéns e obrigada pela disponibilidade em nos atender.

Minha filha tem um ano e um mês e tenho algumas dúvidas sobre seu comportamento. Ela é filha única, entrou na creche aos seis meses, mamou bem até os 10 meses. Sempre comeu super bem e aceita todos os alimentos. Eu e o pai dela trabalhamos fora, mas a partir das 17:00 e aos finais de semana, damos total atenção a ela. Ela se adaptou muito bem a creche. Quando chegávamos, ela logo se jogava para os braços das cuidadoras e nos dava tchau. Há poucas semanas notei que ela choramingava e demorava mais para sair dos meus braços e quando chegamos em casa, ela não pode ficar sozinha nenhum instante. Não posso sair da sua vista que ela começa a chorar. Precisa de atenção exclusiva mesmo. 


Além disso, percebi que ela está repetindo mais frequentemente a "brincadeira" de bater no nosso rosto. Mesmo quando não está chateada, está só brincando, fazendo carinho, e de repente, bate no nosso rosto. Digo que não pode, que não deve bater, mas ela ainda repete o comportamento. Tentei algumas vezes colocá-la de castigo, mas tenho dúvidas se funciona com tão pouca idade. Na creche me relataram que ela não apresenta esse comportamento. 

Outra dúvida que tenho é que desde mais novinha, sempre que a colocamos para dormir (geralmente no braço, balançando na cadeira), ela fica segurando o nosso peito. Seja meu, das cuidadoras da creche, das avós, das tias. Só dorme se for segurando nosso peito. E fica muito aborrecida quando não consegue ou não deixamos. Quando ela tem um pouco de sono, mesmo em público, coloca logo a mão dentro da minha blusa. Além de constrangedor em alguns momento, ela as vezes aperta com força e machuca. Mas sempre que tento ir tirando esse hábito, é um escândalo. Ela não tem nenhuma naninha, nenhum objeto de apego. O que podem significar estes comportamentos e o que devemos fazer?


JMF - Esta criança está apresentando um quadro de birra e de sensação de ausência. Provavelmente por algum motivo que é preciso entender melhor, ela está passando pela fase de perceber que o vinculo
maravilhoso que ela tinha antes com você está diminuindo e provavelmente o novo vinculo não é bem o que ela gostaria de receber. Calma, porque isso tende a ser passageiro. Jamais castigue, é algo que não se deve fazer, é preciso entender. Por que será que ela está tendo essa atitude? Com quem ela aprendeu a bater? Quanto tempo voce tem dado para ela? Você aparece às vezes no almoço para ficar com ela? E quando ela fica doente, fica com ela em casa e a  acompanha ao pediatra? Nunca se atrasou para buscá-la na
creche? Como foi o desmame? Por que ela procura tnanto o peito? Qual foi a técnica usada para o desmame? E por que o fez?

Preciso destas informações para entender. A impressão que tenho, sem conhecer a história toda, é que ela está sentindo falta de alguma coisa: afeto, carinho, presença, sorriso, calma, atenção, cuidado? Quem é a
cuidadora substituta que fica com ela na creche? Cada atendente cuida de quantas crianças? Se ela chora por lá, qual a atitude que tomam? As cuidadoras são atenciosas, gentis, calmas e afetuosas ou apenas cumprem o papel profissional? A boa babá ou a boa cuidadora não é aquela que troca bem fraldas e dá as comidas na hora certa, mas prnicipalmente quem estabelece um vínculo com a criança, afetuosamente e principalmente que gosta do que faz e sempre fala om carinho e calma. Verifique essas coisas e depois me conte.
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